46 Slices
Medium 9781910445129

CAPÍTULO DÉCIMO - Adolescência média: um exemplo clínico

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“Tanto na natureza como em metáfora, a identidade é o ponto de fuga da semelhança.”

Wallace Stevens

Este capítulo oferece algumas novas reflexões sobre a natureza e as implicações dos diferentes tipos de identificação aos quais uma pessoa pode ser levada do meio para o final de sua adolescência. A ênfase principal será sobre os processos projetivos, seguida, no Capítulo 11, por uma exploração dos aspectos mais introjetivos. É analisado o desenvolvimento do caráter de um paciente em particular, Simon. A descrição dos aspectos do tratamento de Simon pode servir como uma forma útil de tornar mais claras as ligações entre as noções Kleinianas de identificação e ideias mais recentes sobre o papel dos diferentes tipos de aprendizagem no progresso de uma pessoa para o autoconhecimento. No cerne dessas questões reside a familiar e importante distinção (ou, mais precisamente, conflito, no que diz respeito a adolescentes) entre, de um lado, o tipo de identificação que está a serviço do crescimento e do desenvolvimento e, de outro, o tipo que pode obstaculizar o desenvolvimento, incentivando evitar as ansiedades no lugar de envolver-se com elas.

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Medium 9781910977125

Apêndice 1: Ein Sof e os Sephirot (Árvore da Vida)

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Ein Sof é uma notação para o inominável, inconcebível, inimaginável, irrepresentável—o que em português, nós chamamos de “Deus”. As palavras significam sem limites, ilimitado, sem contenções, representado como infinidade ou infinito do infinito. De certa maneira, está além de Deus, uma vez que a palavra Deus é uma notação para um amplo escopo de associações e significados que limitam seu caráter de desconhecimento (o uso do artigo “o” ou do pronome “ele” já indicam uma apropriação equivocada). Pessoalmente, penso, às vezes, em Sofia, sabedoria, o que já traz uma vasta limitação. Com a popularidade do budismo, talvez se possa falar de Ein Sof como nada e sua emanação gêmea, ser.

Tecnicamente o Ein Sof não faz parte dos Sephirot/Árvore da Vida. Está além de qualquer representação. Pode-se concebê-lo como a Energia que flui através dos Sephirot e os cria. Força Prima Irrepresentável ou Presença. Mais uma vez, esses são termos delineados a partir de nossa fenomenologia da força, da ação, da experiência, do cuidado e do mistério. Devo dizer logo de saída que tudo o que eu disser é hipotético, fantasia, tentativa de expressar o inexprimível, tocar o intangível que me toca. Bion fala de O, desconhecido, realidade última não passível de entendimento; não é idêntico ao Ein Sof, mas não é sem relação com ele.

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Medium 9781910977088

PAULA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Paula frequentava uma escola para Crianças com Necessidades Especiais, mas seus professores acharam que os problemas físicos que ela sofrera na infância não mais justificavam que ela não frequentasse uma escola normal e assim a transferiram para a escola secundária da área em que ela morava. Paula achou essa mudança muito difícil e começou a mostrar sinais de tensão emocional, que se intensificaram e, finalmente, ela se recusou a ir à escola. A Sra. P discutiu a situação com os professores e estes, eventualmente, concordaram que Paula voltasse à sua escola antiga, mas as autoridades educacionais exigiram uma avaliação psiquiátrica de Paula antes de mudarem sua opinião.

A história médica de Paula era longa e complexa. Ela só começara a andar com 18 meses e só articulou suas primeiras palavras quando estava com 4 anos. Ela sofria frequentes ataques de bronquite e quando tinha 9 meses de idade um médico prescrevera um composto de codeína – mas aconteceu que Paula teve uma reação alérgica e entrou em coma, tendo que ser internada num hospital. Ela se recuperou e teve alta depois de uma semana. Outra área problemática era o peso de Paula: sua mãe disse que Paula comia compulsivamente e depois que seu pai falecera dois anos antes, Paula havia “começado a aumentar quilo e meio por dia, mesmo sem comer tanto.”

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Medium 9781910977088

BETH

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

A mãe desta menina de 10 anos procurou ajuda porque não conseguia mais aguentar o grau e frequência de seus desafios e revoltas. Um filho mais velho e duas filhas menores foram descritos como tranquilos e amáveis, conquanto Beth frequentemente provocava as irmãs com brigas e discussões. Em contraste, Beth não apresentava problemas na escola e tinha uma vida social normal e bem ativa com amigos e vizinhos.

Ficamos sabendo que a Sra. B havia se divorciado de seu marido pouco depois do nascimento da última filha. Eles continuaram a manter uma relação amistosa e a Sra. B parecia até gostar da nova esposa de seu ex-marido. Mas das quatro crianças, Beth era a única que sentia saudades dos dias em que tinha a companhia de seu pai. A Sra. B descreveu uma ocasião recente em que ela ficara tão zangada com Beth que havia pedido ao Sr. B que a levasse para sua casa por alguns dias. Aparentemente, Beth adorou isso e seu comportamento em casa melhorou – por alguns dias.

Quando vi Beth, achei bem difícil estabelecer um diálogo com ela. Fiquei sabendo que sua mãe havia lhe dito que a razão por que vinham me ver era para discutir comigo qual seria a melhor escola para fazer seu curso ginasial. Acontece que Beth estava satisfeita com a escola que já havia escolhido e tinha certeza de que conseguiria uma vaga. Gradualmente, conseguimos ampliar o campo de nossa conversa e Beth me disse que tanto ela como seus irmãos estavam bem felizes com a separação de seus pais, uma vez que haviam permanecido bons amigos, enquanto que, quando viviam juntos, brigavam violentamente o tempo todo.

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Medium 9781910977125

CAPÍTULO 1

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

[ Testando microfone, cantando]: Shema, Shhhmaaaa. Shhhh…O coração da Cabala, o coração verdadeiro da Cabala, é o verso: “V'ahav'ta eit Adonai Elohekha b'khol I'vaw'kha uv'khol naf sh'kha uv'khol m'odekha”. Todos que conhecem este verso, por favor, repitam-no comigo. (Grupo: “V'ahav'ta eit Adonai Elohekha b'khol I'vaw'kha uv'khol naf sh'kha uv'khol m'odekha”.) (Deuteronômio 6;5.)

Quando eu era criança, ensinavam-nos que isso significava: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força”. O verso era apresentado como um mandamento, embora mesmo criança eu sentisse que havia algo mais nele. Mais ressonância, outra vibração. Eu não conseguia encaixar muito bem as coisas: mais que um mandamento, diferente de um mandamento. Era uma pista sobre quem eu era e sobre o que havia em mim.

Quando estava um pouco mais velho, encarei-o como um convite: você está convidado a amar a Deus com todo o seu coração, sua alma e sua força. Um tipo de convite para o playground de Deus, para o solo sagrado de Deus. Você está convidado para vir brincar com Deus com todo o seu coração, sua alma e sua força. Então, quando fiquei um pouco mais velho ainda, comecei a pensar: V'ahav'ta—e você irá amar. E você irá amar, você amará. Quando estou desesperado, infeliz, totalmente sem amor, cheio de ódio, arrasado e sem rumo ou esperança, alguma coisa, algumas vezes, surge em mim e diz: “Eu te amo”. E é a esperança de que eu irei amar. Você irá amar, você amará a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua força.

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