46 Slices
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CAPÍTULO DÉCIMO SEGUNDO - O mundo adulto

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“A presença de uma natureza nobre, generosa em seus desejos, ardente em sua caridade, muda nossa perspectiva: começamos a ver novamente as coisas como um todo mais silencioso, e a acreditar que também podemos ser vistos e julgados na inteireza do nosso caráter.”

George Eliot

“Quando eu crescer quero ser um ‘dulto’”, foi como um pequeno menino de seis anos de idade descreveu a ambição da sua vida. Na mente da criança na latência, existe um “mundo” diferente e centralmente importante em relação ao qual ele define e organiza o seu próprio: o de “gente grande”. Aos sete anos, ou mesmo aos onze, é impossível imaginar que os “adultos” estão eles próprios ainda lutando com o que significa ser um “dulto”; que ao longo de suas vidas, muitos deles permanecem significativamente envolvidos com o processo de “crescer”. E que o engajamento continuado ainda é necessário, pois a crença de que a maturidade foi atingida pode ser uma séria ilusão infantil. O que é uma identidade adulta? Como podemos definir a maturidade? Bion (1961) sugeriu que não deveríamos “presumir com muita facilidade que o rótulo na embalagem é uma boa descrição do conteúdo” (p. 37). O fato de que alguém superficialmente pareça adulto (seja por chegar aos vinte e um anos, assumir uma hipoteca, vestir um jaleco branco ou um terno risca de giz ou criar filhos) pode ter pouco a ver com os estados pueris ou infantis subjacentes ao exterior socialmente definido. O ônus da inautenticidade é frequentemente imenso. Muitos poderiam compartilhar a sensação de Margaret Atwood, de que ela estava “disfarçada” de adulta.

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Medium 9781910977088

EMÍLIA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

A Sra. E consultou um psicanalista de crianças por estar preocupada com a possibilidade de que sua filha, Emília, pudesse estar mostrando sinais de algum problema emocional grave. Emília estava sofrendo de sonambulismo e sua mãe achava que havia algo anormal nos seus movimentos e resolveu buscar ajuda. O analista recomendou tratamento analítico e, considerando a área onde a família morava, sugeriu que me consultassem, pois a clínica onde eu trabalhava ficava perto de sua residência.

Quando os pais vieram me ver com Emília, disseram que ela havia começado a andar dormindo cerca de 3 meses antes. Ela apresentara esse problema pela primeira vez durante cerca de 2 semanas ao fim do ano escolar, mas isso desapareceu quando a família saiu de férias. Durante o mês antes de virem me ver, Emília de novo voltara a andar como se estivesse dormindo. Ela andava pela casa com seus braços esticados, agarrando qualquer coisa que aparecesse no seu caminho. Uma vez segurando alguma coisa, ninguém conseguia arrancar aquilo de suas mãos. Esses episódios também aconteciam quando a família saía para viajar de carro. Emília adormecia subitamente e permanecia neste estado por longos períodos, sem que os pais conseguissem despertá-la. Às vezes também acontecera que Emília caíra num sono profundo quando sentada com seus pais na sala de visitas. Surpreendentemente, quando ela ia dormir de noite na sua cama, nada semelhante acontecia.

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RESUMINDO

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

O assunto “comunicação” sempre me fascinou. Tendo crescido numa família em que frequentemente se usavam 3 línguas, aprendi o mistério de palavras pronunciadas, mas supostamente para não serem entendidas, enquanto o tom de voz empregado muitas vezes levava a adivinhações que eram difíceis de serem confirmadas ou ignoradas. Ainda criança, descobri que a escolha de uma peça musical para ser tocada num instrumento ou numa gravação, era uma indicação bem forte do estado de espírito da pessoa envolvida. Depois disso veio a descoberta de que cacoetes envolviam mais do que a mecânica de partes do corpo. Mas a descoberta mais preciosa foi ler as palavras de um humorista “comunicação é o que outro ouve”. Esta sábia e tão perceptiva piada acentuava a dificuldade que influencia tantas de nossas interações sociais: como podemos ter certeza de que nossas palavras foram compreendidas corretamente? Como podemos garantir que realmente entendemos o que a outra pessoa queria nos comunicar?

No contexto de nossa vida social diária, com sorte podemos encontrar o clima emocional que nos permita verificar e esclarecer quaisquer dúvidas que interferem com o fluxo da conversa. Mas quando uma pessoa enfrenta sentimentos que envolvem dor ou ansiedade, logo encontramos uma rede complexa de dificuldades que afetam a capacidade daquela pessoa de exprimir o que lhe atormenta. Qualquer que seja sua idade, é bem comum que a pessoa não encontre as palavras que poderiam transmitir seus conflitos internos. As pessoas em torno daquele indivíduo podem imaginar que ele deliberadamente se recusa a expressar o que lhe afeta, mas tenho certeza de que isso, na maioria dos casos, não é correto. A criança que se queixa de pesadelos pode não estar ciente de que eles são devidos a medos de que um dos pais abandone a família, da mesma forma que um adulto sofrendo de cólicas abdominais pode não ligar isso à notícia de um amigo que precisou ser hospitalizado. Mas sonhos e cólicas são exemplos do corpo sendo “usado” para exprimir conflitos emocionais.

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CAPÍTULO SEGUNDO - Primórdios

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“‘Comece pelo começo,’ disse o Rei gravemente,
e prossiga até chegar ao fim; então pare.”

Lewis Carrol

Oconhecimento do mundo interno do bebê pode ser adquirido, ou inferido, a partir de uma série de fontes e de diversas maneiras: a partir do comportamento e de processos de pensamento tanto daqueles com estados mentais relativamente imperturbados quanto daqueles com estados mentais reconhecidamente perturbados; a partir da natureza da relação clínica estabelecida no consultório; a partir da atenção psicanalítica às brincadeiras e sonhos de crianças mais velhas, adolescentes e adultos; a partir de estudos de observação de bebês e crianças pequenas;1 e, mais recentemente, a partir do estudo de imagens de ultrassom da vida intrauterina.2 Definir quando se dá o início do mundo interno é uma questão difícil.

Este capítulo aborda as circunstâncias do nascimento psicológico do bebê. A relação entre o fato do nascimento físico e o momento do nascimento psicológico tem sido objeto de muito debate. Alguns situam o nascimento da personalidade muitos meses depois do nascimento de fato; outros pensam que ocorre no nascimento; aqueles com mente psicanalítica tendem a considerar que ocorre em algum momento durante a gestação no útero. Freud (1925) deixou claro que a “impressionante cesura do ato do nascimento” não deve ser superestimada (p. 138). Uma série de investigações posteriores, vinculando estudos intrauterinos com observações psicanaliticamente informadas durante a primeira infância, confirmou que “a natureza e a nutrição interagiram por tanto tempo no útero que é impossível separá-los; mesmo a ideia de natureza e nutrição como entidades separadas chega a parecer demasiadamente tosca para ser útil”.3

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Medium 9781910977125

CAPÍTULO 2

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Da última vez, comecei dizendo que a essência da Cabala é amar a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma, toda a sua força. A essência da Torá e a essência da Cabala a esse respeito são as mesmas. Esta é a essência: amar a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma e força. Mencionei que isso soa como um mandamento. Você deve, você irá, você tem que. Mas é mais, você é. Amar a Deus com tudo o que você é lhe define. Você é esse amor e em relação a esse amor.

É uma descoberta. Se você faz essa descoberta, se ela acontece, se vem até você como, oh, meu Deus, eu Te amo com todo o meu coração, toda a minha alma e força, é um fato. Não é um fato vindo do exterior, mas do profundo interior. Schopenhauer diz que a música é o sonho mais profundo do mundo. Também pode-se dizer que esse sonho, essa música, expressa esse amor.

Da última vez falei do meu rabino histórico e fabular preferido, Rabino Akiva. Não vou falar muito dele hoje, mas falamos sobre sua kavannah, sua devoção e sua percepção, seu sentimento no fim da vida, quando sua pele estava sendo arrancada pelos romanos, de que finalmente ele podia dar tudo para Deus, amar a Deus com toda a sua força, com tudo o que havia nele, tudo que ele era. Em outra parte, a Bíblia diz: “amai a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua mente”. Então, há uma mudança de força para mente. Elas são ambas importantes e é um desafio. Como se pode fazer isso? O que é “tudo”? O que “tudo” seria? Os rabinos dizem com a boa e a má inclinação. Amar a Deus com a boa e a má inclinações. E como seria isso?

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