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Medium 9781910977088

GLORIA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Gloria havia ido com suas amigas a um parque de diversões e, a certa altura, decidiu entrar num atalho quando queria ir à outra parte do parque. Quando estavam passando por trás de uma barraca, se viram de repente frente a um cachorro que pulou em cima delas e, por azar, mordeu o lábio de Gloria.

Gloria ficou muito abalada por essa experiência, mas o que eventualmente a trouxe à clínica para ver o Psiquiatra infantil, foi o fato de que durante os dois meses seguintes ela acordava várias vezes durante a noite aos berros e chorando inconsolavelmente, falando de terríveis pesadelos de que ela não conseguia se lembrar e, algumas vezes, também sofrendo de sonambulismo.

Gloria veio me ver junto com sua mãe. Ela era uma menina atraente e inteligente de 12 anos de idade. Ela me contou de sua família e da vida escolar. A Sra. G respondeu às minhas perguntas com boa vontade e por vezes esclarecendo algum dado da vida familiar de que Gloria não tivesse certeza. A Sra. G parecia bem mais jovem do que uma pessoa de seus trinta e tantos anos de idade e ela tinha uma relação amistosa e bem chegada com sua filha, que era uma de seus três filhos. O Sr. G havia abandonado a família alguns anos antes e agora vivia em outro país, mas eles haviam mantido uma relação amistosa que permitia às crianças se sentirem chegadas aos dois pais. A Sra. G ocupava um alto cargo administrativo numa grande companhia comercial e tinha uma posição muito ativa na educação dos filhos.

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Medium 9781910445129

CAPÍTULO DÉCIMO TERCEIRO - Os anos posteriores

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“Nunca é tarde para se tornar a pessoa que você poderia ter sido.”

George Eliot

As palavras otimistas de George Eliot parecem particularmente adequadas para a faixa etária em questão. “Nunca é tarde demais…” Este capítulo final irá ecoar e reiterar os principais temas do livro. O tom é essencialmente o mesmo; apenas a clave é diferente. Desenvolvimento, em qualquer idade, é fundado na capacidade de continuar interagindo com o significado da experiência com imaginação, coragem e integridade. A exortação de Freud de que “deve-se tentar aprender algo com cada experiência” permanece tão verdadeira na última parte da vida como sempre foi.1

Estas páginas traçaram o emaranhado extraordinariamente complexo de fios ou forças, internos e externos, que atuam sobre a capacidade da própria pessoa para se desenvolver e crescer psicologicamente, ou atuam sobre outra pessoa, colocando o desenvolvimento em suspenso, seja inibindo o potencial criativo ou o desviando para fins que serão contrários aos melhores interesses da personalidade como um todo. Passando agora para os últimos anos, quero pegar os mesmos fios, desfiá-los um pouco mais e, em seguida, tecê-los em um quadro mais completo, que assumirá sua própria forma e coloração distintiva.

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Medium 9781910977125

Apêndice 5: A grade de Bion

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Figura 1. A grade de Bion

Quando Bion estava em Nova Iorque (1978), dava pouca ênfase à grade. Sua ênfase principal era na sessão viva. Em termos experienciais ele sentia que a sessão vivida estava na fileira C, pensamentos oníricos, sonhos e mitos. Se você estivesse em D até F, havia chances de que você não estivesse na sessão, não no momento sentido. Ao menos a grade servia para refletir, entre as sessões, acerca da experiência emocional da sessão vivida, uma forma de destacar a sessão e realocá-la junto com várias dimensões que podem melhorar o discernimento dos processos. Ele escreveu sobre isso como um tipo de exercício psíquico, manter a função-alfa viva e em manutenção, mantendo a intuição viva.

Enquanto ele falava, imaginei se estaria depositando a grade num tipo de ferro velho, assim como Husserl fez com suas primeiras tentativas de matematizar a consciência. Husserl decidiu que uma matemática da consciência não era possível (ao menos de acordo com o horizonte dele), virou toda a sua atenção para a tarefa de delinear as estruturas da experiência e passou a ser conhecido como o “pai da fenomenologia do século XX”.

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Medium 9781910977088

JOÃO

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

No seu primeiro desenho (Fig. 51), João fez um homem sentado pacificamente sob uma macieira. Ele parece estar dormindo e tem um sorriso feliz em seu rosto, não percebendo que uma maçã vem caindo sobre sua cabeça. João pegou outra folha de papel e agora (Fig. 52) vemos outro homem atirando uma flecha que atinge a maçã e a prende à árvore, assim livrando o homem que dorme de ser atingido pela maçã. Se, porém, examinamos as duas imagens superpostas (Fig. 53) a flecha atinge a cabeça do homem!

(Fig. 51)

João
primeiro desenho

(Fig. 52)

João segundo desenho

(Fig. 53)

João
imagens superpostas

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Medium 9781910977088

BETH

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

A mãe desta menina de 10 anos procurou ajuda porque não conseguia mais aguentar o grau e frequência de seus desafios e revoltas. Um filho mais velho e duas filhas menores foram descritos como tranquilos e amáveis, conquanto Beth frequentemente provocava as irmãs com brigas e discussões. Em contraste, Beth não apresentava problemas na escola e tinha uma vida social normal e bem ativa com amigos e vizinhos.

Ficamos sabendo que a Sra. B havia se divorciado de seu marido pouco depois do nascimento da última filha. Eles continuaram a manter uma relação amistosa e a Sra. B parecia até gostar da nova esposa de seu ex-marido. Mas das quatro crianças, Beth era a única que sentia saudades dos dias em que tinha a companhia de seu pai. A Sra. B descreveu uma ocasião recente em que ela ficara tão zangada com Beth que havia pedido ao Sr. B que a levasse para sua casa por alguns dias. Aparentemente, Beth adorou isso e seu comportamento em casa melhorou – por alguns dias.

Quando vi Beth, achei bem difícil estabelecer um diálogo com ela. Fiquei sabendo que sua mãe havia lhe dito que a razão por que vinham me ver era para discutir comigo qual seria a melhor escola para fazer seu curso ginasial. Acontece que Beth estava satisfeita com a escola que já havia escolhido e tinha certeza de que conseguiria uma vaga. Gradualmente, conseguimos ampliar o campo de nossa conversa e Beth me disse que tanto ela como seus irmãos estavam bem felizes com a separação de seus pais, uma vez que haviam permanecido bons amigos, enquanto que, quando viviam juntos, brigavam violentamente o tempo todo.

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