46 Slices
Medium 9781910977125

CAPÍTULO 2

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Da última vez, comecei dizendo que a essência da Cabala é amar a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma, toda a sua força. A essência da Torá e a essência da Cabala a esse respeito são as mesmas. Esta é a essência: amar a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma e força. Mencionei que isso soa como um mandamento. Você deve, você irá, você tem que. Mas é mais, você é. Amar a Deus com tudo o que você é lhe define. Você é esse amor e em relação a esse amor.

É uma descoberta. Se você faz essa descoberta, se ela acontece, se vem até você como, oh, meu Deus, eu Te amo com todo o meu coração, toda a minha alma e força, é um fato. Não é um fato vindo do exterior, mas do profundo interior. Schopenhauer diz que a música é o sonho mais profundo do mundo. Também pode-se dizer que esse sonho, essa música, expressa esse amor.

Da última vez falei do meu rabino histórico e fabular preferido, Rabino Akiva. Não vou falar muito dele hoje, mas falamos sobre sua kavannah, sua devoção e sua percepção, seu sentimento no fim da vida, quando sua pele estava sendo arrancada pelos romanos, de que finalmente ele podia dar tudo para Deus, amar a Deus com toda a sua força, com tudo o que havia nele, tudo que ele era. Em outra parte, a Bíblia diz: “amai a Deus com todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua mente”. Então, há uma mudança de força para mente. Elas são ambas importantes e é um desafio. Como se pode fazer isso? O que é “tudo”? O que “tudo” seria? Os rabinos dizem com a boa e a má inclinação. Amar a Deus com a boa e a má inclinações. E como seria isso?

See All Chapters
Medium 9781910977088

SONIA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Esta menina de 12 anos foi mandada à clínica devido à sua compulsão de se cortar, mas logo ficamos sabendo que sua família tinha grandes dificuldades de tolerar seu comportamento rebelde e, às vezes, bizarro. A mãe de Sonia e uma irmã mais velha também vieram à consulta diagnóstica, mas uma irmã menor se recusou a vir. Sonia se limitava a exibir um sorriso – a mãe e a irmã descreveram isso como uma atitude típica de Sonia, mostrando sua gozação e desafio. Eu pensei se também seria um sinal de embaraço, mas acabei acreditando que o sorriso resultava de uma postura de distanciamento das pessoas e dos assuntos sendo discutidos.

A história da família era extremamente complexa. O Sr. S havia falecido seis anos antes, mas o que me contavam da vida passada e presente sugeriam que ele ainda constituía uma presença na família. A mãe e as filhas embarcaram numa discussão de que traços de personalidade e comportamento haviam sido herdados do pai ou da mãe. Elas contaram episódios de anos passados para acentuar a importância do Sr. S na dinâmica da vida familiar. Um desses se referia à Sonia acidentalmente se cortando e sendo cuidada por seu pai – aparentemente, os dois continuaram conversando e quando Sonia lhe perguntou se ele não tinha medo de sangue, o pai respondeu que, de fato, ele gostava de ver sangue.

See All Chapters
Medium 9781910977088

BARBARA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

O clínico da família pediu que víssemos essa “muito inteligente menina de 10 anos de idade” porque nos últimos quatro meses, desde o nascimento de seu irmão, Barbara “se tornara muito ansiosa, com medo de se ver separada de seus pais, deixada sozinha”. O clínico achou que isso era provavelmente um caso de “ciúmes de irmãos”. Os pais estavam preocupados pela intensidade dos medos da filha, mas também sentiam uma certa irritação pelo grau dos distúrbios provocados na vida normal da família.

A Sra. B era evidentemente estrangeira: um rosto redondo, muito atraente, lábios e olhos sensuais, cabelos escuros e um sorriso cativante – mas nem sua aparência, nem seu sotaque permitiriam que se adivinhasse seu país de origem. Ela veio à consulta segurando no colo um lindo bebê de oito meses que deu uns sorrisos e depois adormeceu por todo o tempo de nosso encontro. Barbara parecia uma versão em miniatura de sua mãe, mas seu rosto muito atraente e seu sorriso amistoso não escondiam completamente seu estado de tensão e um intenso medo de como se desenrolaria esta entrevista. A Sra. B explicou que Barbara não queria vir me ver, mas concordara “só por uma única vez”.

See All Chapters
Medium 9781910445129

CAPÍTULO SEXTO - Latência

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“O ar estava pesado com o coro de baixos

Logo abaixo da represa, sapos com ventres largos estavam alertas

Na relva; seus pescoços soltos pulsavam como velas. Alguns saltavam:

O salto e a queda eram ameaças obscenas.

Alguns quietos, serenos como granadas de lama, peidando por suas cabeças chatas.

Nauseado, me virei e corri. Os grandes reis do lodo

Estavam reunidos ali para vingar-se, e eu sabia

Que se mergulhasse minha mão, as ovas iriam prendê-la.”

Seamus Heaney

Oobjetivo do presente capítulo é explorar a natureza do estado mental conhecido como “latência” e sua função na personalidade em desenvolvimento da criança. Cronologicamente, o período caracterizado como “latência” corresponde aproximadamente aos anos de escola primária, dos cinco aos onze anos. Mas a “mentalidade da latência” pode estar presente posteriormente em qualquer idade, se, por razões particulares, a personalidade precisar continuar com um modo de funcionamento que, em termos de desenvolvimento, pertence a esses primeiros anos, ou precisar voltar a ele. Embora cada criança vá ter sua própria experiência dessa fase da vida, certos modos amplamente identificáveis de aprendizagem e de comportamento tendem a prevalecer, modos esses que estão estreitamente relacionados com as tarefas subjacentes à idade da criança. Inicialmente utilizarei exemplos clínicos para ilustrar os conceitos teóricos sobre a latência e algumas das ansiedades e problemas característicos da época. A última parte do capítulo explora alguns aspectos da literatura infantil, especialmente aqueles que emprestam mais vida e clareza às complexidades dos estados mentais da latência. Esses aspectos também salientam as formas criativas e imaginativas pelas quais histórias e faz de conta podem enriquecer a capacidade da criança para lidar com alguns dos obstáculos de desenvolvimento que são particulares a esse grupo etário.

See All Chapters
Medium 9781910977125

Apêndice 1: Ein Sof e os Sephirot (Árvore da Vida)

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Ein Sof é uma notação para o inominável, inconcebível, inimaginável, irrepresentável—o que em português, nós chamamos de “Deus”. As palavras significam sem limites, ilimitado, sem contenções, representado como infinidade ou infinito do infinito. De certa maneira, está além de Deus, uma vez que a palavra Deus é uma notação para um amplo escopo de associações e significados que limitam seu caráter de desconhecimento (o uso do artigo “o” ou do pronome “ele” já indicam uma apropriação equivocada). Pessoalmente, penso, às vezes, em Sofia, sabedoria, o que já traz uma vasta limitação. Com a popularidade do budismo, talvez se possa falar de Ein Sof como nada e sua emanação gêmea, ser.

Tecnicamente o Ein Sof não faz parte dos Sephirot/Árvore da Vida. Está além de qualquer representação. Pode-se concebê-lo como a Energia que flui através dos Sephirot e os cria. Força Prima Irrepresentável ou Presença. Mais uma vez, esses são termos delineados a partir de nossa fenomenologia da força, da ação, da experiência, do cuidado e do mistério. Devo dizer logo de saída que tudo o que eu disser é hipotético, fantasia, tentativa de expressar o inexprimível, tocar o intangível que me toca. Bion fala de O, desconhecido, realidade última não passível de entendimento; não é idêntico ao Ein Sof, mas não é sem relação com ele.

See All Chapters

See All Slices