46 Slices
Medium 9781910977125

Apêndice 1: Ein Sof e os Sephirot (Árvore da Vida)

Eigen, Michael Editora Karnac ePub

Ein Sof é uma notação para o inominável, inconcebível, inimaginável, irrepresentável—o que em português, nós chamamos de “Deus”. As palavras significam sem limites, ilimitado, sem contenções, representado como infinidade ou infinito do infinito. De certa maneira, está além de Deus, uma vez que a palavra Deus é uma notação para um amplo escopo de associações e significados que limitam seu caráter de desconhecimento (o uso do artigo “o” ou do pronome “ele” já indicam uma apropriação equivocada). Pessoalmente, penso, às vezes, em Sofia, sabedoria, o que já traz uma vasta limitação. Com a popularidade do budismo, talvez se possa falar de Ein Sof como nada e sua emanação gêmea, ser.

Tecnicamente o Ein Sof não faz parte dos Sephirot/Árvore da Vida. Está além de qualquer representação. Pode-se concebê-lo como a Energia que flui através dos Sephirot e os cria. Força Prima Irrepresentável ou Presença. Mais uma vez, esses são termos delineados a partir de nossa fenomenologia da força, da ação, da experiência, do cuidado e do mistério. Devo dizer logo de saída que tudo o que eu disser é hipotético, fantasia, tentativa de expressar o inexprimível, tocar o intangível que me toca. Bion fala de O, desconhecido, realidade última não passível de entendimento; não é idêntico ao Ein Sof, mas não é sem relação com ele.

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Medium 9781910977088

JOÃO

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

No seu primeiro desenho (Fig. 51), João fez um homem sentado pacificamente sob uma macieira. Ele parece estar dormindo e tem um sorriso feliz em seu rosto, não percebendo que uma maçã vem caindo sobre sua cabeça. João pegou outra folha de papel e agora (Fig. 52) vemos outro homem atirando uma flecha que atinge a maçã e a prende à árvore, assim livrando o homem que dorme de ser atingido pela maçã. Se, porém, examinamos as duas imagens superpostas (Fig. 53) a flecha atinge a cabeça do homem!

(Fig. 51)

João
primeiro desenho

(Fig. 52)

João segundo desenho

(Fig. 53)

João
imagens superpostas

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Medium 9781910977088

SONIA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Esta menina de 12 anos foi mandada à clínica devido à sua compulsão de se cortar, mas logo ficamos sabendo que sua família tinha grandes dificuldades de tolerar seu comportamento rebelde e, às vezes, bizarro. A mãe de Sonia e uma irmã mais velha também vieram à consulta diagnóstica, mas uma irmã menor se recusou a vir. Sonia se limitava a exibir um sorriso – a mãe e a irmã descreveram isso como uma atitude típica de Sonia, mostrando sua gozação e desafio. Eu pensei se também seria um sinal de embaraço, mas acabei acreditando que o sorriso resultava de uma postura de distanciamento das pessoas e dos assuntos sendo discutidos.

A história da família era extremamente complexa. O Sr. S havia falecido seis anos antes, mas o que me contavam da vida passada e presente sugeriam que ele ainda constituía uma presença na família. A mãe e as filhas embarcaram numa discussão de que traços de personalidade e comportamento haviam sido herdados do pai ou da mãe. Elas contaram episódios de anos passados para acentuar a importância do Sr. S na dinâmica da vida familiar. Um desses se referia à Sonia acidentalmente se cortando e sendo cuidada por seu pai – aparentemente, os dois continuaram conversando e quando Sonia lhe perguntou se ele não tinha medo de sangue, o pai respondeu que, de fato, ele gostava de ver sangue.

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Medium 9781910445129

CAPÍTULO OITAVO - A família

Waddell, Margot Editora Karnac ePub

“A experiência psicanalítica mostra que o caráter é profundamente marcado pelo modo preferido de aprendizagem, e esses modos preferidos são por sua vez profundamente influenciados pelos modos prevalecentes no grupo familiar e seu estado de organização.”

Donald Meltzer

No capítulo anterior, foi colocada ênfase considerável na natureza da relação mãe/bebê como protótipo de uma qualidade específica de pensamento e de aprendizagem, ou a falha em atingir essa experiência. À medida que a criança cresce, a continência inicialmente oferecida pela mãe se estenderá para ambos os pais, para a família, a escola, relacionamentos com seus pares, a comunidade em geral e, eventualmente, para ambientes profissionais e de trabalho. A maneira como o grupo familiar funciona pode agora ser vista em termos semelhantes aos discutidos em relação à mãe e ao bebê: ou seja, como o grupo incentiva ou obstaculiza o desenvolvimento de seus membros individuais?

A “família” é vagamente concebida aqui como uma categoria normativa, designando o grupo ou grupos de cuidado dentro dos quais a criança está sendo criada. A família pode ser um grupo de dois, um pai/mãe único e seu filho, ou pode compreender uma multiplicidade de relações, como novos parceiros, meio irmãos e irmãos emprestados. O que está em questão é a forma de descrever as maneiras predominantes de se relacionar em qualquer grupo, seja complexo ou simples. Será feita uma tentativa de caracterizar uma gama de possíveis tipos de família em termos de como cada uma pode ajudar ou atrapalhar o crescimento emocional daqueles que a ela pertencem. A questão é sempre saber se o agrupamento contém e ampara, ou se inibe o potencial de desenvolvimento e os movimentos de separação da criança. Naturalmente, estados de esclarecimento ou de opressão no ambiente social e político mais amplo têm uma influência significativa sobre a forma como qualquer família se desenvolve. As questões de raça, classe, economia, saúde, habitação, isolamento, empregos, amigos, escola, etc. desempenham um papel importante na capacidade da família de manter o equilíbrio entre as inter-relações emaranhadas e em constante mudança dos seus membros. No entanto, quaisquer que sejam as pressões das circunstâncias externas, a maneira como se lida com elas é significativamente determinada pela forma como funciona a própria família internamente. É uma questão, por exemplo, relacionada à tendência da família a organizar-se em torno da intolerância à dor e à adversidade, por um lado, ou, por outro, organizar-se em torno do prazer e da promoção de esperança e bem-estar, sejam quais forem as circunstâncias externas.

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Medium 9781910977088

PAULA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Paula frequentava uma escola para Crianças com Necessidades Especiais, mas seus professores acharam que os problemas físicos que ela sofrera na infância não mais justificavam que ela não frequentasse uma escola normal e assim a transferiram para a escola secundária da área em que ela morava. Paula achou essa mudança muito difícil e começou a mostrar sinais de tensão emocional, que se intensificaram e, finalmente, ela se recusou a ir à escola. A Sra. P discutiu a situação com os professores e estes, eventualmente, concordaram que Paula voltasse à sua escola antiga, mas as autoridades educacionais exigiram uma avaliação psiquiátrica de Paula antes de mudarem sua opinião.

A história médica de Paula era longa e complexa. Ela só começara a andar com 18 meses e só articulou suas primeiras palavras quando estava com 4 anos. Ela sofria frequentes ataques de bronquite e quando tinha 9 meses de idade um médico prescrevera um composto de codeína – mas aconteceu que Paula teve uma reação alérgica e entrou em coma, tendo que ser internada num hospital. Ela se recuperou e teve alta depois de uma semana. Outra área problemática era o peso de Paula: sua mãe disse que Paula comia compulsivamente e depois que seu pai falecera dois anos antes, Paula havia “começado a aumentar quilo e meio por dia, mesmo sem comer tanto.”

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