58 Slices
Medium 9781910977088

ALAN

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Alan tinha 15 anos quando sua madrasta entrou em contato com a Clínica pedindo que o ajudássemos. Ela achava que ele se sentia infeliz, era difícil conversar com ele, aparentemente obcecado com religião e totalmente desligado de sua escola e da vida social, exceto de música, a atividade a que dedicava a maior parte de seu dia. Ela também disse que Alan “discutia ou brigava” com seu pai “o tempo todo”. Quando o Psicólogo Educacional da clínica entrou em contato com a escola de Alan, os professores lhe disseram que ele era um rapaz sensível, inteligente e estudioso, mas que frequentemente parecia “desligado”.

Alan tivera uma infância traumática. Sua mãe abandonou a família quando Alan tinha 4 anos de idade e ele foi viver com seus avós paternos. Seu pai casou-se novamente quando Alan estava com 7 anos e seu avô, a quem ele era muito chegado, faleceu pouco tempo depois. Alan voltou a viver na nova casa de seu pai, onde conheceu sua madrasta e seus dois filhos, mais velhos que ele. Sua relação com a madrasta era bastante boa, mas tinham choques ocasionais que geralmente levavam à intervenção de seu pai e, em consequência, períodos em que Alan se sentia só e rejeitado. Quando veio nos ver, ele havia desenvolvido enorme interesse na igreja da comunidade – não só tomava parte em suas atividades musicais, como também havia se tornado muito chegado ao vigário e sua jovem e atraente esposa. Ambos os pais se ressentiam deste envolvimento de Alan e faziam constante pressão para ele se afastar da igreja e do casal.

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Medium 9781910977088

JOÃO

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

No seu primeiro desenho (Fig. 51), João fez um homem sentado pacificamente sob uma macieira. Ele parece estar dormindo e tem um sorriso feliz em seu rosto, não percebendo que uma maçã vem caindo sobre sua cabeça. João pegou outra folha de papel e agora (Fig. 52) vemos outro homem atirando uma flecha que atinge a maçã e a prende à árvore, assim livrando o homem que dorme de ser atingido pela maçã. Se, porém, examinamos as duas imagens superpostas (Fig. 53) a flecha atinge a cabeça do homem!

(Fig. 51)

João
primeiro desenho

(Fig. 52)

João segundo desenho

(Fig. 53)

João
imagens superpostas

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Medium 9781855758285

Chapter Four: Touching and affective closenes

Brafman, A.H. Karnac Books ePub

Icame to England to pursue my analytic training and my psychoanalytic life has unfolded in this country. My analyst, supervisors, and lecturers were all unanimous in teaching that analysis was a process based on words. Of course, as the years went by, we took on board the relevance of non-verbal material, of the personality and style of the analyst, the importance of a diagnostic assessment of the patient’s pathology, the elements that presumably differentiated between psychotherapy and ‘proper’ analysis. Needless to say, opinions varied and each of us gradually developed his own brand of working with patients. However, curiously enough, ‘touching the patient’ was usually considered one of the things that ‘only Dr Winnicott’ did with his patients. Touching was one of the unusual things that he provided to those patients who had ‘regressed to dependence’, and his accounts were treated with puzzlement and an implicit sense of condemnation. I am sure that it was the enormous respect and admiration that Winnicott commanded in the British Society that precluded overt criticism of his approach to these particular patients. Not many other analysts came forward to inform the world that they treated similar patients or resorted to such technical parameters. Margaret Little proved the exception, but then, she had been analysed by Winnicott, and this was seen as confirmation that ‘touching’ constituted a technique that characterized the analyst’s therapeutic preferences, rather than being exclusively part of a patient’s conscious or unconscious needs.

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Medium 9781855757035

Chapter Six: Problems with teachers

Brafman, A.H. Karnac Books ePub

There was a time when, as soon as the child went through the school gates, the parents were supposed to step back and leave it to the teachers to look after their child. As time went by, this has fortunately changed and parents are not only allowed, but expected to keep contact with the school staff. Of course, each school organizes this contact in different ways; from the once-a-term parents-teachers’ meeting to an open-door policy. However, not all parents take advantage of this and some will rely on the notion that “no news is good news” as a justification to keep away from school. In the majority of cases, this is fine, but, if at all possible, parents should take a more active interest in how their child is getting on at school. I see this as very important because, with the number of children attending each school, there is a real possibility that some children will go totally unnoticed if they do not give cause for concern or if they are not particularly outstanding in some way. This may well not constitute a problem as long as your child is happily getting on with his work, but if he happens to be a quiet, self-effacing child, he may find it very difficult to voice any problem that suddenly confronts him.

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Medium 9781910977088

RESUMINDO

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

O assunto “comunicação” sempre me fascinou. Tendo crescido numa família em que frequentemente se usavam 3 línguas, aprendi o mistério de palavras pronunciadas, mas supostamente para não serem entendidas, enquanto o tom de voz empregado muitas vezes levava a adivinhações que eram difíceis de serem confirmadas ou ignoradas. Ainda criança, descobri que a escolha de uma peça musical para ser tocada num instrumento ou numa gravação, era uma indicação bem forte do estado de espírito da pessoa envolvida. Depois disso veio a descoberta de que cacoetes envolviam mais do que a mecânica de partes do corpo. Mas a descoberta mais preciosa foi ler as palavras de um humorista “comunicação é o que outro ouve”. Esta sábia e tão perceptiva piada acentuava a dificuldade que influencia tantas de nossas interações sociais: como podemos ter certeza de que nossas palavras foram compreendidas corretamente? Como podemos garantir que realmente entendemos o que a outra pessoa queria nos comunicar?

No contexto de nossa vida social diária, com sorte podemos encontrar o clima emocional que nos permita verificar e esclarecer quaisquer dúvidas que interferem com o fluxo da conversa. Mas quando uma pessoa enfrenta sentimentos que envolvem dor ou ansiedade, logo encontramos uma rede complexa de dificuldades que afetam a capacidade daquela pessoa de exprimir o que lhe atormenta. Qualquer que seja sua idade, é bem comum que a pessoa não encontre as palavras que poderiam transmitir seus conflitos internos. As pessoas em torno daquele indivíduo podem imaginar que ele deliberadamente se recusa a expressar o que lhe afeta, mas tenho certeza de que isso, na maioria dos casos, não é correto. A criança que se queixa de pesadelos pode não estar ciente de que eles são devidos a medos de que um dos pais abandone a família, da mesma forma que um adulto sofrendo de cólicas abdominais pode não ligar isso à notícia de um amigo que precisou ser hospitalizado. Mas sonhos e cólicas são exemplos do corpo sendo “usado” para exprimir conflitos emocionais.

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