20 Slices
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BARBARA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

O clínico da família pediu que víssemos essa “muito inteligente menina de 10 anos de idade” porque nos últimos quatro meses, desde o nascimento de seu irmão, Barbara “se tornara muito ansiosa, com medo de se ver separada de seus pais, deixada sozinha”. O clínico achou que isso era provavelmente um caso de “ciúmes de irmãos”. Os pais estavam preocupados pela intensidade dos medos da filha, mas também sentiam uma certa irritação pelo grau dos distúrbios provocados na vida normal da família.

A Sra. B era evidentemente estrangeira: um rosto redondo, muito atraente, lábios e olhos sensuais, cabelos escuros e um sorriso cativante – mas nem sua aparência, nem seu sotaque permitiriam que se adivinhasse seu país de origem. Ela veio à consulta segurando no colo um lindo bebê de oito meses que deu uns sorrisos e depois adormeceu por todo o tempo de nosso encontro. Barbara parecia uma versão em miniatura de sua mãe, mas seu rosto muito atraente e seu sorriso amistoso não escondiam completamente seu estado de tensão e um intenso medo de como se desenrolaria esta entrevista. A Sra. B explicou que Barbara não queria vir me ver, mas concordara “só por uma única vez”.

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PAULA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Paula frequentava uma escola para Crianças com Necessidades Especiais, mas seus professores acharam que os problemas físicos que ela sofrera na infância não mais justificavam que ela não frequentasse uma escola normal e assim a transferiram para a escola secundária da área em que ela morava. Paula achou essa mudança muito difícil e começou a mostrar sinais de tensão emocional, que se intensificaram e, finalmente, ela se recusou a ir à escola. A Sra. P discutiu a situação com os professores e estes, eventualmente, concordaram que Paula voltasse à sua escola antiga, mas as autoridades educacionais exigiram uma avaliação psiquiátrica de Paula antes de mudarem sua opinião.

A história médica de Paula era longa e complexa. Ela só começara a andar com 18 meses e só articulou suas primeiras palavras quando estava com 4 anos. Ela sofria frequentes ataques de bronquite e quando tinha 9 meses de idade um médico prescrevera um composto de codeína – mas aconteceu que Paula teve uma reação alérgica e entrou em coma, tendo que ser internada num hospital. Ela se recuperou e teve alta depois de uma semana. Outra área problemática era o peso de Paula: sua mãe disse que Paula comia compulsivamente e depois que seu pai falecera dois anos antes, Paula havia “começado a aumentar quilo e meio por dia, mesmo sem comer tanto.”

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MONICA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Monica desenhou um episódio que ocorrera quando ela passava férias num país Oriental. Ela e sua amiga só haviam encontrado assentos no compartimento do trem usado por gente da “classe baixa”, e o desenho (Fig. 57) mostra sua amiga lendo um livro e Monica olhando para fora da janela, tentando “escapar” do barulho e sujeira do trem. No desenho seguinte (Fig. 58) duas prostitutas chegam e começam a tentar cativar dois passageiros masculinos. Um terceiro desenho (Fig. 59) mostra Monica criticando as prostitutas, dizendo-lhes que se comportem e respeitem os passageiros. Se superpusermos os desenhos 2 e 3 (Fig. 60) é impressionante ver como as prostitutas estão precisamente no mesmo lugar. Mas superpondo 1 e 2 (Fig. 61) ou 1 e 3 (Fig. 62) é a amiga de Monica que agora é vista na posição de uma das prostitutas: existe alguma ideia inconsciente na mente de Monica considerando sua amiga como uma prostituta? Ainda mais intrigante é notar que na superposição 1 e 2, bem como na 2 e 3, Monica aparece no lugar do homem a quem as prostitutas se dirigem.

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BERENICE

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

O clínico geral da família nos pediu para ver esta menina de 12 anos, porque sua mãe descobrira que Berenice havia roubado dinheiro de sua bolsa e que também estava matando aulas na escola. A Sra. B estava muito perturbada e chorando quando falou com a secretária da clínica para marcar uma consulta. Ela sentia como se, de repente, houvesse sido aberto um enorme vácuo entre ela e Berenice: ela mencionou fazer perguntas à filha e não ter conseguido mais do que “um olhar vazio”. A Sra. B queria ver o médico o mais cedo possível e ficou aliviada quando a secretária lhe disse que uma hora no dia seguinte havia sido cancelada. A secretária comentou comigo que a Sra. B mostrava um grau de angústia que parecia algo desproporcional à sua descrição do comportamento de Berenice.

A Sra. B veio à entrevista não só com Berenice, mas também com seu marido. Minha impressão de Berenice era de uma menina de doze anos sem qualquer característica que chamasse atenção; bem vestida, de altura média e aparência bem agradável. A Sra. B estava extremamente tensa e o Sr. B parecia pouco à vontade, como se não entendesse bem o que poderia ser o propósito desse encontro comigo. Ambos haviam nascido e crescido na comunidade onde moravam agora e suas famílias se conheciam há décadas. O Sr. B trabalhava em construção de prédios e sua esposa fazia ocasionais limpezas domésticas. Eles tinham dois filhos mais jovens e ambos frisavam o quão comum e normal havia sido a vida da família - até a crise atual com Berenice romper a imagem de segurança do passar dos dias.

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BETH

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

A mãe desta menina de 10 anos procurou ajuda porque não conseguia mais aguentar o grau e frequência de seus desafios e revoltas. Um filho mais velho e duas filhas menores foram descritos como tranquilos e amáveis, conquanto Beth frequentemente provocava as irmãs com brigas e discussões. Em contraste, Beth não apresentava problemas na escola e tinha uma vida social normal e bem ativa com amigos e vizinhos.

Ficamos sabendo que a Sra. B havia se divorciado de seu marido pouco depois do nascimento da última filha. Eles continuaram a manter uma relação amistosa e a Sra. B parecia até gostar da nova esposa de seu ex-marido. Mas das quatro crianças, Beth era a única que sentia saudades dos dias em que tinha a companhia de seu pai. A Sra. B descreveu uma ocasião recente em que ela ficara tão zangada com Beth que havia pedido ao Sr. B que a levasse para sua casa por alguns dias. Aparentemente, Beth adorou isso e seu comportamento em casa melhorou – por alguns dias.

Quando vi Beth, achei bem difícil estabelecer um diálogo com ela. Fiquei sabendo que sua mãe havia lhe dito que a razão por que vinham me ver era para discutir comigo qual seria a melhor escola para fazer seu curso ginasial. Acontece que Beth estava satisfeita com a escola que já havia escolhido e tinha certeza de que conseguiria uma vaga. Gradualmente, conseguimos ampliar o campo de nossa conversa e Beth me disse que tanto ela como seus irmãos estavam bem felizes com a separação de seus pais, uma vez que haviam permanecido bons amigos, enquanto que, quando viviam juntos, brigavam violentamente o tempo todo.

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