20 Slices
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EMÍLIA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

A Sra. E consultou um psicanalista de crianças por estar preocupada com a possibilidade de que sua filha, Emília, pudesse estar mostrando sinais de algum problema emocional grave. Emília estava sofrendo de sonambulismo e sua mãe achava que havia algo anormal nos seus movimentos e resolveu buscar ajuda. O analista recomendou tratamento analítico e, considerando a área onde a família morava, sugeriu que me consultassem, pois a clínica onde eu trabalhava ficava perto de sua residência.

Quando os pais vieram me ver com Emília, disseram que ela havia começado a andar dormindo cerca de 3 meses antes. Ela apresentara esse problema pela primeira vez durante cerca de 2 semanas ao fim do ano escolar, mas isso desapareceu quando a família saiu de férias. Durante o mês antes de virem me ver, Emília de novo voltara a andar como se estivesse dormindo. Ela andava pela casa com seus braços esticados, agarrando qualquer coisa que aparecesse no seu caminho. Uma vez segurando alguma coisa, ninguém conseguia arrancar aquilo de suas mãos. Esses episódios também aconteciam quando a família saía para viajar de carro. Emília adormecia subitamente e permanecia neste estado por longos períodos, sem que os pais conseguissem despertá-la. Às vezes também acontecera que Emília caíra num sono profundo quando sentada com seus pais na sala de visitas. Surpreendentemente, quando ela ia dormir de noite na sua cama, nada semelhante acontecia.

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ANNA

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Anna tinha 13 anos quando veio me ver para uma avaliação psiquiátrica de seus problemas. Nos últimos meses ela havia apresentado uma série de sintomas físicos e uma mudança dramática de seu temperamento e a maneira de tratar os pais. Na escola, os professores haviam introduzido modificações nos seus horários, tentando ajudar Anna a lidar com seus sintomas físicos e frequentes crises de angústia.

Anna tinha dois irmãos mais velhos que haviam deixado o lar da família e seus pais tinham uma relação amorosa e harmoniosa. A Sra. A havia devotado sua vida a cuidar da família e o Sr. A era ativo desportista, que havia progredido e chegado a ser o treinador de esportistas profissionais e amadores. Entretanto, no último ano antes de nosso encontro, o Sr. A vinha sofrendo de uma forma grave de doença artrítica que o impedira de fazer o trabalho que tanto adorava.

Quando vi Anna sozinha, ela mostrou-se uma adolescente inteligente e bem capaz de articular seus pensamentos, me contando dos conflitos que tinha com colegas e das dificuldades da vida em família. Quando a vi com um ou ambos os pais, Anna era outra pessoa: introvertida, tensa e obviamente cuidando do que poderia dizer em voz alta.

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ALAN

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Alan tinha 15 anos quando sua madrasta entrou em contato com a Clínica pedindo que o ajudássemos. Ela achava que ele se sentia infeliz, era difícil conversar com ele, aparentemente obcecado com religião e totalmente desligado de sua escola e da vida social, exceto de música, a atividade a que dedicava a maior parte de seu dia. Ela também disse que Alan “discutia ou brigava” com seu pai “o tempo todo”. Quando o Psicólogo Educacional da clínica entrou em contato com a escola de Alan, os professores lhe disseram que ele era um rapaz sensível, inteligente e estudioso, mas que frequentemente parecia “desligado”.

Alan tivera uma infância traumática. Sua mãe abandonou a família quando Alan tinha 4 anos de idade e ele foi viver com seus avós paternos. Seu pai casou-se novamente quando Alan estava com 7 anos e seu avô, a quem ele era muito chegado, faleceu pouco tempo depois. Alan voltou a viver na nova casa de seu pai, onde conheceu sua madrasta e seus dois filhos, mais velhos que ele. Sua relação com a madrasta era bastante boa, mas tinham choques ocasionais que geralmente levavam à intervenção de seu pai e, em consequência, períodos em que Alan se sentia só e rejeitado. Quando veio nos ver, ele havia desenvolvido enorme interesse na igreja da comunidade – não só tomava parte em suas atividades musicais, como também havia se tornado muito chegado ao vigário e sua jovem e atraente esposa. Ambos os pais se ressentiam deste envolvimento de Alan e faziam constante pressão para ele se afastar da igreja e do casal.

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RAQUEL

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Esta menina de 11 anos foi mandada para nossa clínica por seu clínico geral. Ela vinha se queixando de pesadelos e de vários sintomas físicos que frequentemente a impediam de ir à escola. O clínico havia pedido a opinião de um gastroenterologista, mas este nada encontrou de anormal. Ele também havia dado uma série de conselhos a Raquel e seus pais sobre a rotina da hora de dormir, tentando reduzir o nível de ansiedade de Raquel, mas isso não havia produzido resultado algum. Ele decidiu investigar fatores emocionais e pediu ajuda ao Psicólogo Clínico – como nenhuma melhora fosse conseguida, os pais voltaram ao clínico geral e depois de novas discussões, o médico recomendou uma avaliação psiquiátrica.

Ambos os pais vieram com Raquel à entrevista diagnóstica. O pai era vendedor numa loja local e a Sra. R se dedicava a cuidar da casa e seus dois filhos. Eles descreveram as histórias de suas famílias de origem e tudo parecia muito normal. O casamento era harmonioso e o irmão mais moço de Raquel vinha crescendo sem problemas. Ambas as crianças frequentavam uma escola da comunidade e eram descritas como “médias elevadas” em seus estudos. Raquel se acomodou à entrevista sem dificuldades. Ela me contou de seus muitos sintomas físicos e de como ela lamentava faltar à escola devido às suas múltiplas dores. Os distúrbios do sono levavam a uma vivência de fraqueza geral que dominava o dia seguinte, mas Raquel frisou o quanto ela se esforçava para não se entregar à vontade de simplesmente se deitar e dormir.

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DANIEL

Brafman, A.H. Editora Karnac ePub

Daniel estava com 7 anos e meio de idade quando sua mãe o trouxe para me consultar. Ele era encoprético desde os 3 anos de idade e sua mãe me contou que inúmeras receitas e técnicas recomendadas por múltiplos profissionais jamais haviam produzido qualquer resultado. Daniel tinha um irmão com 3 ½ anos de idade. Daniel havia frequentado um jardim de infância em sua vizinhança e agora ia a uma pequena escola primária, cujos professores sempre o elogiavam, entusiasmados com sua inteligência. Sua relação com professores e colegas era excelente. A Sra. D havia tentado estabelecer alguma relação entre o sujar-se e outros fatores na vida de Daniel, mas de fato não acreditava que existissem tais conexões. Do ponto de vista cronológico, o sujar-se havia começado por volta da época em que seus pais se separaram, mas a Sra. D dizia que isso não passava de uma coincidência. Curiosamente, Daniel só se sujava quando estava em casa e geralmente quando voltava da escola, mas só com muita relutância é que a Sra. D aceitava a possível correlação entre o sintoma e sua presença, insistindo que o sujar-se também poderia ocorrer se Daniel estivesse longe dela por algum período longo, algo que jamais acontecera.

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