A Linguagem dos Desenhos

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E parte da natureza humana que podemos sofrer conflitos emocionais sem conseguir por em palavras os fatores relevantes que poderiam elucidar a origem destas vivencias.Como e sabido, criancas e adolescentes frequentemente fazem desenhos durante uma entrevista psicologica.Assumindo que estes desenhos visavam comunicar experiencias traumaticas, Brafman encontrou casos em que, quando varios desenhos haviam sido feitos, a superposicao de dois dos desenhos podia revelar o conteudo da fantasia inconsciente que causara os sintomas patologicos. Tal como acontece com a linguagem verbal, aqui encontramos ideias inconscientes divididas em mensagens separadas que, vistas individualmente, nao revelariam o total da vivencia emocional. Este livro descreve alguns desses casos - verdadeiros exemplos da linguagem dos desenhos.

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20 Slices

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BERENICE

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O clínico geral da família nos pediu para ver esta menina de 12 anos, porque sua mãe descobrira que Berenice havia roubado dinheiro de sua bolsa e que também estava matando aulas na escola. A Sra. B estava muito perturbada e chorando quando falou com a secretária da clínica para marcar uma consulta. Ela sentia como se, de repente, houvesse sido aberto um enorme vácuo entre ela e Berenice: ela mencionou fazer perguntas à filha e não ter conseguido mais do que “um olhar vazio”. A Sra. B queria ver o médico o mais cedo possível e ficou aliviada quando a secretária lhe disse que uma hora no dia seguinte havia sido cancelada. A secretária comentou comigo que a Sra. B mostrava um grau de angústia que parecia algo desproporcional à sua descrição do comportamento de Berenice.

A Sra. B veio à entrevista não só com Berenice, mas também com seu marido. Minha impressão de Berenice era de uma menina de doze anos sem qualquer característica que chamasse atenção; bem vestida, de altura média e aparência bem agradável. A Sra. B estava extremamente tensa e o Sr. B parecia pouco à vontade, como se não entendesse bem o que poderia ser o propósito desse encontro comigo. Ambos haviam nascido e crescido na comunidade onde moravam agora e suas famílias se conheciam há décadas. O Sr. B trabalhava em construção de prédios e sua esposa fazia ocasionais limpezas domésticas. Eles tinham dois filhos mais jovens e ambos frisavam o quão comum e normal havia sido a vida da família - até a crise atual com Berenice romper a imagem de segurança do passar dos dias.

 

EMÍLIA

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A Sra. E consultou um psicanalista de crianças por estar preocupada com a possibilidade de que sua filha, Emília, pudesse estar mostrando sinais de algum problema emocional grave. Emília estava sofrendo de sonambulismo e sua mãe achava que havia algo anormal nos seus movimentos e resolveu buscar ajuda. O analista recomendou tratamento analítico e, considerando a área onde a família morava, sugeriu que me consultassem, pois a clínica onde eu trabalhava ficava perto de sua residência.

Quando os pais vieram me ver com Emília, disseram que ela havia começado a andar dormindo cerca de 3 meses antes. Ela apresentara esse problema pela primeira vez durante cerca de 2 semanas ao fim do ano escolar, mas isso desapareceu quando a família saiu de férias. Durante o mês antes de virem me ver, Emília de novo voltara a andar como se estivesse dormindo. Ela andava pela casa com seus braços esticados, agarrando qualquer coisa que aparecesse no seu caminho. Uma vez segurando alguma coisa, ninguém conseguia arrancar aquilo de suas mãos. Esses episódios também aconteciam quando a família saía para viajar de carro. Emília adormecia subitamente e permanecia neste estado por longos períodos, sem que os pais conseguissem despertá-la. Às vezes também acontecera que Emília caíra num sono profundo quando sentada com seus pais na sala de visitas. Surpreendentemente, quando ela ia dormir de noite na sua cama, nada semelhante acontecia.

 

BETH

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A mãe desta menina de 10 anos procurou ajuda porque não conseguia mais aguentar o grau e frequência de seus desafios e revoltas. Um filho mais velho e duas filhas menores foram descritos como tranquilos e amáveis, conquanto Beth frequentemente provocava as irmãs com brigas e discussões. Em contraste, Beth não apresentava problemas na escola e tinha uma vida social normal e bem ativa com amigos e vizinhos.

Ficamos sabendo que a Sra. B havia se divorciado de seu marido pouco depois do nascimento da última filha. Eles continuaram a manter uma relação amistosa e a Sra. B parecia até gostar da nova esposa de seu ex-marido. Mas das quatro crianças, Beth era a única que sentia saudades dos dias em que tinha a companhia de seu pai. A Sra. B descreveu uma ocasião recente em que ela ficara tão zangada com Beth que havia pedido ao Sr. B que a levasse para sua casa por alguns dias. Aparentemente, Beth adorou isso e seu comportamento em casa melhorou – por alguns dias.

Quando vi Beth, achei bem difícil estabelecer um diálogo com ela. Fiquei sabendo que sua mãe havia lhe dito que a razão por que vinham me ver era para discutir comigo qual seria a melhor escola para fazer seu curso ginasial. Acontece que Beth estava satisfeita com a escola que já havia escolhido e tinha certeza de que conseguiria uma vaga. Gradualmente, conseguimos ampliar o campo de nossa conversa e Beth me disse que tanto ela como seus irmãos estavam bem felizes com a separação de seus pais, uma vez que haviam permanecido bons amigos, enquanto que, quando viviam juntos, brigavam violentamente o tempo todo.

 

DANIEL

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Daniel estava com 7 anos e meio de idade quando sua mãe o trouxe para me consultar. Ele era encoprético desde os 3 anos de idade e sua mãe me contou que inúmeras receitas e técnicas recomendadas por múltiplos profissionais jamais haviam produzido qualquer resultado. Daniel tinha um irmão com 3 ½ anos de idade. Daniel havia frequentado um jardim de infância em sua vizinhança e agora ia a uma pequena escola primária, cujos professores sempre o elogiavam, entusiasmados com sua inteligência. Sua relação com professores e colegas era excelente. A Sra. D havia tentado estabelecer alguma relação entre o sujar-se e outros fatores na vida de Daniel, mas de fato não acreditava que existissem tais conexões. Do ponto de vista cronológico, o sujar-se havia começado por volta da época em que seus pais se separaram, mas a Sra. D dizia que isso não passava de uma coincidência. Curiosamente, Daniel só se sujava quando estava em casa e geralmente quando voltava da escola, mas só com muita relutância é que a Sra. D aceitava a possível correlação entre o sintoma e sua presença, insistindo que o sujar-se também poderia ocorrer se Daniel estivesse longe dela por algum período longo, algo que jamais acontecera.

 

FELIPE

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O comportamento agressivo de Felipe vinha causando sérios problemas na sua vida escolar. Os professores haviam tentado várias técnicas para ajudá-lo a se controlar, mas nada haviam conseguido. Para complicar a situação, quando a escola entrou em contato com a Sra. F e tentou obter sua cooperação, ela se voltou contra os professores, acusando-os de discriminar contra Felipe e culpando-os pelo seu comportamento. Os professores e o Psicólogo Educacional organizaram uma série de reuniões com a Sra. F, mas estas não haviam produzido qualquer resultado positivo. Pedir a ajuda do Psiquiatra Infantil foi a sugestão seguinte da escola e, com muita relutância, a Sra. F aceitou fazer isso.

Como seria de prever, nosso encontro foi “gauche”. Tudo que eu dizia era interpretado como se eu fosse um agente da escola. Eu estava vendo Felipe na Clínica de Orientação Infantil do bairro e esta era, de verdade, parte dos departamentos da autoridade educacional daquela comunidade. Do ponto de vista prático, eu tinha que tomar muito cuidado com minhas perguntas, uma vez que tanto Felipe como sua mãe jamais concordariam em discutir qualquer coisa que não fosse ligada ao seu problema de comportamento na escola. Minha técnica usual seria obter uma história da família e fazer perguntas à criança e aos pais sobre assuntos que poderiam me ajudar a obter uma imagem da dinâmica da família e compreender o problema da criança – tudo isso devia ser posto de lado e eu tinha que me concentrar em perguntas sobre a relação entre Felipe e seus colegas e professores.

 

BARBARA

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O clínico da família pediu que víssemos essa “muito inteligente menina de 10 anos de idade” porque nos últimos quatro meses, desde o nascimento de seu irmão, Barbara “se tornara muito ansiosa, com medo de se ver separada de seus pais, deixada sozinha”. O clínico achou que isso era provavelmente um caso de “ciúmes de irmãos”. Os pais estavam preocupados pela intensidade dos medos da filha, mas também sentiam uma certa irritação pelo grau dos distúrbios provocados na vida normal da família.

A Sra. B era evidentemente estrangeira: um rosto redondo, muito atraente, lábios e olhos sensuais, cabelos escuros e um sorriso cativante – mas nem sua aparência, nem seu sotaque permitiriam que se adivinhasse seu país de origem. Ela veio à consulta segurando no colo um lindo bebê de oito meses que deu uns sorrisos e depois adormeceu por todo o tempo de nosso encontro. Barbara parecia uma versão em miniatura de sua mãe, mas seu rosto muito atraente e seu sorriso amistoso não escondiam completamente seu estado de tensão e um intenso medo de como se desenrolaria esta entrevista. A Sra. B explicou que Barbara não queria vir me ver, mas concordara “só por uma única vez”.

 

JULIA

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Esta menina produziu uma apresentação diferente do que chamo de desenhos divididos, mas acredito que ainda constitua um exemplo válido do fenômeno que estou descrevendo.

Vi Julia quando tinha 13 anos de idade. A Sra. J havia se mudado com seus filhos para a área em que ficava a Clínica de Orientação Infantil pouco tempo antes de ter vindo me ver com Julia. Esta havia se matriculado no ginásio local, mas estava tendo grandes dificuldades de se acomodar com sua vizinhança. Ela se queixava de inúmeros sintomas físicos, mas várias consultas com o clínico do bairro não haviam identificado anormalidades orgânicas. Foi com muita relutância que a Sra. J concordou em me ver.

A família havia passado por anos muito traumáticos. Aparentemente, o Sr. J não só abusava do uso de álcool, como também era muito violento com sua mulher e filhos. Depois de muitos anos de casamento, a Sra. J decidira pôr fim ao casamento e saiu de casa com seus filhos, conseguindo obter nova residência numa comunidade bem longe de onde haviam vivido. A Sra. J fazia muita força para reorganizar sua vida, mas recentemente seus filhos haviam lhe comunicado ter, subitamente, encontrado seu pai na rua e ele lhes dissera que carregava um revólver e um facão, avisando a eles que dissessem isso à sua mãe.

 

GLORIA

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Gloria havia ido com suas amigas a um parque de diversões e, a certa altura, decidiu entrar num atalho quando queria ir à outra parte do parque. Quando estavam passando por trás de uma barraca, se viram de repente frente a um cachorro que pulou em cima delas e, por azar, mordeu o lábio de Gloria.

Gloria ficou muito abalada por essa experiência, mas o que eventualmente a trouxe à clínica para ver o Psiquiatra infantil, foi o fato de que durante os dois meses seguintes ela acordava várias vezes durante a noite aos berros e chorando inconsolavelmente, falando de terríveis pesadelos de que ela não conseguia se lembrar e, algumas vezes, também sofrendo de sonambulismo.

Gloria veio me ver junto com sua mãe. Ela era uma menina atraente e inteligente de 12 anos de idade. Ela me contou de sua família e da vida escolar. A Sra. G respondeu às minhas perguntas com boa vontade e por vezes esclarecendo algum dado da vida familiar de que Gloria não tivesse certeza. A Sra. G parecia bem mais jovem do que uma pessoa de seus trinta e tantos anos de idade e ela tinha uma relação amistosa e bem chegada com sua filha, que era uma de seus três filhos. O Sr. G havia abandonado a família alguns anos antes e agora vivia em outro país, mas eles haviam mantido uma relação amistosa que permitia às crianças se sentirem chegadas aos dois pais. A Sra. G ocupava um alto cargo administrativo numa grande companhia comercial e tinha uma posição muito ativa na educação dos filhos.

 

PAULA

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Paula frequentava uma escola para Crianças com Necessidades Especiais, mas seus professores acharam que os problemas físicos que ela sofrera na infância não mais justificavam que ela não frequentasse uma escola normal e assim a transferiram para a escola secundária da área em que ela morava. Paula achou essa mudança muito difícil e começou a mostrar sinais de tensão emocional, que se intensificaram e, finalmente, ela se recusou a ir à escola. A Sra. P discutiu a situação com os professores e estes, eventualmente, concordaram que Paula voltasse à sua escola antiga, mas as autoridades educacionais exigiram uma avaliação psiquiátrica de Paula antes de mudarem sua opinião.

A história médica de Paula era longa e complexa. Ela só começara a andar com 18 meses e só articulou suas primeiras palavras quando estava com 4 anos. Ela sofria frequentes ataques de bronquite e quando tinha 9 meses de idade um médico prescrevera um composto de codeína – mas aconteceu que Paula teve uma reação alérgica e entrou em coma, tendo que ser internada num hospital. Ela se recuperou e teve alta depois de uma semana. Outra área problemática era o peso de Paula: sua mãe disse que Paula comia compulsivamente e depois que seu pai falecera dois anos antes, Paula havia “começado a aumentar quilo e meio por dia, mesmo sem comer tanto.”

 

SONIA

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Esta menina de 12 anos foi mandada à clínica devido à sua compulsão de se cortar, mas logo ficamos sabendo que sua família tinha grandes dificuldades de tolerar seu comportamento rebelde e, às vezes, bizarro. A mãe de Sonia e uma irmã mais velha também vieram à consulta diagnóstica, mas uma irmã menor se recusou a vir. Sonia se limitava a exibir um sorriso – a mãe e a irmã descreveram isso como uma atitude típica de Sonia, mostrando sua gozação e desafio. Eu pensei se também seria um sinal de embaraço, mas acabei acreditando que o sorriso resultava de uma postura de distanciamento das pessoas e dos assuntos sendo discutidos.

A história da família era extremamente complexa. O Sr. S havia falecido seis anos antes, mas o que me contavam da vida passada e presente sugeriam que ele ainda constituía uma presença na família. A mãe e as filhas embarcaram numa discussão de que traços de personalidade e comportamento haviam sido herdados do pai ou da mãe. Elas contaram episódios de anos passados para acentuar a importância do Sr. S na dinâmica da vida familiar. Um desses se referia à Sonia acidentalmente se cortando e sendo cuidada por seu pai – aparentemente, os dois continuaram conversando e quando Sonia lhe perguntou se ele não tinha medo de sangue, o pai respondeu que, de fato, ele gostava de ver sangue.

 

ANNA

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Anna tinha 13 anos quando veio me ver para uma avaliação psiquiátrica de seus problemas. Nos últimos meses ela havia apresentado uma série de sintomas físicos e uma mudança dramática de seu temperamento e a maneira de tratar os pais. Na escola, os professores haviam introduzido modificações nos seus horários, tentando ajudar Anna a lidar com seus sintomas físicos e frequentes crises de angústia.

Anna tinha dois irmãos mais velhos que haviam deixado o lar da família e seus pais tinham uma relação amorosa e harmoniosa. A Sra. A havia devotado sua vida a cuidar da família e o Sr. A era ativo desportista, que havia progredido e chegado a ser o treinador de esportistas profissionais e amadores. Entretanto, no último ano antes de nosso encontro, o Sr. A vinha sofrendo de uma forma grave de doença artrítica que o impedira de fazer o trabalho que tanto adorava.

Quando vi Anna sozinha, ela mostrou-se uma adolescente inteligente e bem capaz de articular seus pensamentos, me contando dos conflitos que tinha com colegas e das dificuldades da vida em família. Quando a vi com um ou ambos os pais, Anna era outra pessoa: introvertida, tensa e obviamente cuidando do que poderia dizer em voz alta.

 

ALAN

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Alan tinha 15 anos quando sua madrasta entrou em contato com a Clínica pedindo que o ajudássemos. Ela achava que ele se sentia infeliz, era difícil conversar com ele, aparentemente obcecado com religião e totalmente desligado de sua escola e da vida social, exceto de música, a atividade a que dedicava a maior parte de seu dia. Ela também disse que Alan “discutia ou brigava” com seu pai “o tempo todo”. Quando o Psicólogo Educacional da clínica entrou em contato com a escola de Alan, os professores lhe disseram que ele era um rapaz sensível, inteligente e estudioso, mas que frequentemente parecia “desligado”.

Alan tivera uma infância traumática. Sua mãe abandonou a família quando Alan tinha 4 anos de idade e ele foi viver com seus avós paternos. Seu pai casou-se novamente quando Alan estava com 7 anos e seu avô, a quem ele era muito chegado, faleceu pouco tempo depois. Alan voltou a viver na nova casa de seu pai, onde conheceu sua madrasta e seus dois filhos, mais velhos que ele. Sua relação com a madrasta era bastante boa, mas tinham choques ocasionais que geralmente levavam à intervenção de seu pai e, em consequência, períodos em que Alan se sentia só e rejeitado. Quando veio nos ver, ele havia desenvolvido enorme interesse na igreja da comunidade – não só tomava parte em suas atividades musicais, como também havia se tornado muito chegado ao vigário e sua jovem e atraente esposa. Ambos os pais se ressentiam deste envolvimento de Alan e faziam constante pressão para ele se afastar da igreja e do casal.

 

JESSICA

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A carta do Clínico pedindo que víssemos Jessica na clínica pintava um quadro muito dramático dos seus problemas: “Esta menina tem sofrido de uma fobia de corpos mortos – ela tem um medo paranoico da morte. Sofre de pesadelos e tem ataques de angústia com hiperventilação. Jessica não tem problemas na escola, onde consegue bons resultados. Seus pais são dedicados e a família não tem história de problemas psiquiátricos ou qualquer questão de abuso infantil. Ao que me contam, Jessica segue sua mãe o tempo todo, fica sentada na cozinha e até fica junto da porta do banheiro quando a mãe o está usando. Jessica pensa que a mãe pode morrer.”

Vi Jessica junto com sua mãe. Uma dupla amistosa, calorosa, sorridente, rapidamente se puseram à vontade. A Sra. J transmitiu as desculpas do marido que havia tido um compromisso de última hora e não pudera vir à consulta. Jessica era uma menina de 9 anos de idade, saudável, inteligente e bem falante. Ela me disse que gostava de sua escola, tinha muitos amigos e seus professores gostavam dela. Foi com claro orgulho que mencionou ser uma das melhores alunas de sua classe.

 

ROBERTO

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A linda imagem dividida criada por Roberto veio no correr de uma psicoterapia individual de longo prazo. Ele era um rapaz de 22 anos que buscou terapia por uma série de problemas ligados à sua vida social e sexual. Conseguira emprego depois de concluir seu curso secundário e é difícil entender porque não havia usado seus dotes artísticos como base de emprego.

Não era em toda sessão que Roberto decidia desenhar, mas era um meio de comunicação a que ele costumava recorrer quando achando difícil decidir o que falar. Neste desenho específico, ele ilustrou seu trajeto saindo de casa e fazendo a viagem para a Clínica onde tinha suas sessões. Em um lado da folha (Fig. 45) ele desenhou como era “amassado” contra uma parede por um amigo e depois tentando pegar um ônibus, mas sendo empurrado para fora pelo condutor. Em vez de pegar nova folha de papel, Roberto virou aquela mesma que havia usado e desenhou (Fig. 46) sua chegada à Clínica, sendo recebido por sua terapeuta, que o leva para a sala e os dois sentam-se para ter a sessão – ele agora se mostra feliz, relaxado e pronto para sua terapia.

 

RAQUEL

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Esta menina de 11 anos foi mandada para nossa clínica por seu clínico geral. Ela vinha se queixando de pesadelos e de vários sintomas físicos que frequentemente a impediam de ir à escola. O clínico havia pedido a opinião de um gastroenterologista, mas este nada encontrou de anormal. Ele também havia dado uma série de conselhos a Raquel e seus pais sobre a rotina da hora de dormir, tentando reduzir o nível de ansiedade de Raquel, mas isso não havia produzido resultado algum. Ele decidiu investigar fatores emocionais e pediu ajuda ao Psicólogo Clínico – como nenhuma melhora fosse conseguida, os pais voltaram ao clínico geral e depois de novas discussões, o médico recomendou uma avaliação psiquiátrica.

Ambos os pais vieram com Raquel à entrevista diagnóstica. O pai era vendedor numa loja local e a Sra. R se dedicava a cuidar da casa e seus dois filhos. Eles descreveram as histórias de suas famílias de origem e tudo parecia muito normal. O casamento era harmonioso e o irmão mais moço de Raquel vinha crescendo sem problemas. Ambas as crianças frequentavam uma escola da comunidade e eram descritas como “médias elevadas” em seus estudos. Raquel se acomodou à entrevista sem dificuldades. Ela me contou de seus muitos sintomas físicos e de como ela lamentava faltar à escola devido às suas múltiplas dores. Os distúrbios do sono levavam a uma vivência de fraqueza geral que dominava o dia seguinte, mas Raquel frisou o quanto ela se esforçava para não se entregar à vontade de simplesmente se deitar e dormir.

 

JOÃO

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No seu primeiro desenho (Fig. 51), João fez um homem sentado pacificamente sob uma macieira. Ele parece estar dormindo e tem um sorriso feliz em seu rosto, não percebendo que uma maçã vem caindo sobre sua cabeça. João pegou outra folha de papel e agora (Fig. 52) vemos outro homem atirando uma flecha que atinge a maçã e a prende à árvore, assim livrando o homem que dorme de ser atingido pela maçã. Se, porém, examinamos as duas imagens superpostas (Fig. 53) a flecha atinge a cabeça do homem!

(Fig. 51)

João
primeiro desenho

(Fig. 52)

João segundo desenho

(Fig. 53)

João
imagens superpostas

 

CRISTINA

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Na primeira página (Fig. 54) vemos um cachorro caçando um coelho e eventualmente o pegando e comendo. Já na página seguinte (Fig. 55) o cachorro dorme pacificamente. De acordo com os números que Cristina deu aos desenhos, o cachorro que dorme tem “número 6”, ou seja, descansando depois de comer o coelho. Mas justapondo as duas páginas (Fig. 56) fica-se com a impressão de que o cachorro que dorme está sonhando toda a caça – uma interpretação que poderia ser apoiada no fato de que o desenho de número 5 mostra o cachorro comendo do seu pratinho “normal” de comida. Outro dado é que a artista escolheu pôr “desenho 2” acima da imagem de coelhos correndo nos campos como “desenho 1”. Outra explicação seria que o cachorro que dorme está se lembrando da sua caça, mas de qualquer modo é interessante notar a superposição das imagens do cachorro correndo e dormindo.

(Fig. 54)

Cristina
primeiro desenho

(Fig. 55)

Cristina
segundo desenho

(Fig. 56)

 

MONICA

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Monica desenhou um episódio que ocorrera quando ela passava férias num país Oriental. Ela e sua amiga só haviam encontrado assentos no compartimento do trem usado por gente da “classe baixa”, e o desenho (Fig. 57) mostra sua amiga lendo um livro e Monica olhando para fora da janela, tentando “escapar” do barulho e sujeira do trem. No desenho seguinte (Fig. 58) duas prostitutas chegam e começam a tentar cativar dois passageiros masculinos. Um terceiro desenho (Fig. 59) mostra Monica criticando as prostitutas, dizendo-lhes que se comportem e respeitem os passageiros. Se superpusermos os desenhos 2 e 3 (Fig. 60) é impressionante ver como as prostitutas estão precisamente no mesmo lugar. Mas superpondo 1 e 2 (Fig. 61) ou 1 e 3 (Fig. 62) é a amiga de Monica que agora é vista na posição de uma das prostitutas: existe alguma ideia inconsciente na mente de Monica considerando sua amiga como uma prostituta? Ainda mais intrigante é notar que na superposição 1 e 2, bem como na 2 e 3, Monica aparece no lugar do homem a quem as prostitutas se dirigem.

 

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